Prazer
pela música. Foi isso que deu
início à carreira de um
dos mais importantes e bem sucedidos
produtores de shows do Brasil: José
Carlos Mendonça, o Pinga, como
é carinhosamente conhecido no
meio artístico nacional e internacional.
Até
12 de setembro de 2001, com 32 anos
de trabalhos completados, Pinga realizou
exatamente 10.777 shows em todo Brasil.
Recorde mundial em produção
de eventos por um mesmo profissional.
Pinga
tem muita história para contar.
Dono de uma memória invejável,
fala com detalhes de nomes, números
e locais de três décadas
atrás como se fossem de ontem.
Começou
a fazer produção numa
época em que não existiam
equipamentos sofisticados e os shows
eram realizados de forma mais simplificada.
Sua
primeira investida foi um show de
Roberto Carlos no dia 18 de agosto
de 1966, em Aracaju. Estava no auge
da carreira o cantor da jovem guarda,
que fazia o maior sucesso na televisão.
Mesmo assim, o equipamento de som
e luz utilizado foi o de um conjunto
musical que tocava no local onde aconteceu
o evento.
Nos
anos 70, Roberto Carlos levava o instrumental
de som e um canhão de luz em
um caminhãozinho de quatro
metros de comprimento.
Dos
anos 80 em diante, quando Pinga contratou
o REI para outros shows, Roberto Carlos
utilizava nada menos que quatro carretas
para o transporte do equipamento de
som e luz. A tecnologia já
havia chegado aos palcos.
Só
com Roberto Carlos, Pinga contratou
209 shows.
E
os números são sempre
múltiplos para esse gigante
da produção musical:
393 shows de Elba Ramalho; 265 de
Chico Anísio; 238 de Fernando
Mendes; 137 de Alceu Valença;
106 de Dominguinhos; 123 de Fábio
Junior; 136 de Luis Gonzaga; 118 de
Fagner; 114 de José Augusto,
98 de Jorge Ben Jor; 80 de Maria Bethania;
76 de Gilberto Gil; 99 de Milton Nascimento;
129 de Mastruz com Leite; 124 de Ney
Matogrosso; 118 de Morais Moreira;
234 de Odair José; 60 de Paralamas
do Sucesso; 116 de Papeu Gomes; 166
de Simone; 93 de Reginaldo Rossi;
88 de Sérgio Reis; 117 de Tom
Cavalcante; 102 de Zé Ramalho;
e por aí vai.
Praticamente
todos os grandes artistas e bandas
do Brasil e vários nomes do
exterior tiveram o prazer de ter shows
contratados por Pinga.
Digo
prazer porque quando ele assume o
compromisso com um artista, cumpre
rigorosamente tudo o que combina.
Tanto que muitos não fazem
mais nem a exigência por um
contrato formal; a palavra de Pinga
é suficiente. E essa credibilidade
é o ponto forte de sua vida
profissional.
Pinga
reconhece que começar uma carreira
de produtor de eventos hoje em dia
não é fácil.
Além de uma concorrência
altamente acirrada, os custos de produção
são muito acima do que quando
iniciou. Desde os cachês dos
artistas, passagens e hospedagem,
casas de shows, etc equipamentos de
som e luz, divulgação,
tudo ficou muito mais caro.
O
recado que ele dá para os produtores
que estão iniciando e para
os que não estão capitalizados,
é que antes de assumirem compromissos
e fazerem despesas recorram à
captação de recursos,
seja através das leis de incentivo,
seja através de projetos de
patrocínio.
Dentre
os artistas do Nordeste, Pinga ressalta
o trabalho de Caetano Veloso, Simone,
Bethania, Fagner, Elba Ramalho, Moraes
Moreira, Gal Costa, Ivete Sangalo,
Chiclete com Banana, Asa de Águia,
É o Tchan, Terra Samba, Cia.
do Pagode, além de reconhecer
que o sucesso do axé music
atual começou com Luiz Caldas.
E como humoristas Nordestinos, destaca
Chico Anísio, Tom Cavalcante
e Zé Lezinho da Paraíba.
Com
relação aos novos talentos
ele lembra que é importante
não se deixar contaminar pelo
sucesso, e cita os exemplos dos cantores
Roberto Carlos e Daniel que continuam
sendo pessoas extremamente simples.
Para
Pinga o sucesso não se explica.
Tem muita gente boa que não
teve chance, e muitos não tão
bons que estouraram. Mas ele acredita
que quando se quer alguma coisa é
preciso determinação,
perseverança e ir em frente
aproveitando todas as oportunidades.
Selma
Cavalcante
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